Programa garante 31 novas escolas integrais no Estado

Trinta e uma escolas em tempo integral foram viabilizadas em Pernambuco por meio do Programa de Fomento à Implementação de Escolas em Tempo Integral do Ministério da Educação (MEC). A iniciativa foi formalizada no fim de 2016 e está sendo realizada como uma das estratégias da reforma do ensino médio, que prevê o aumento da carga horária nas salas de aula como ferramenta para potencializar a aprendizagem, tornar o ensino mais atrativo e conter os índices de evasão escolar. A implantação das novas unidades é executada pelas secretarias estaduais de Educação.

Em Pernambuco, as novas escolas terão como sede 24 municípios, conforme dados do MEC, possibilitando 36.420 novas matrículas de estudantes. Além do Recife, estão sendo contemplados os municípios de Paulista, Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes, São Lourenço da Mata e Ipojuca, na Região Metropolitana; Carpina, Goiana, Timbaúba, Nazaré da Mata, Vicência, Barreiros e Palmares, na Zona da Mata; Bezerros, Gravatá, Caruaru e Buíque, no Agreste; e Afogados da Ingazeira, Serra Talhada, Belém do São Francisco, Floresta, Petrolândia e Petrolina, no Sertão do Estado. O investimento será de R$ 72,7 milhões.

Segundo a Secretaria de Educação de Pernambuco (SEE), as novas unidades se somam a uma rede que já conta com mais de 300 escolas em tempo integral. Para participar do programa de fomento, os governos estaduais enviaram ao MEC o termo de adesão e o formulário do plano de implementação, contendo as informações sobre o Plano de Gestão Escolar, Planejamento Pedagógico, Proposta de Plano de Diagnóstico e Nivelamento e o Plano de Participação da Comunidade nas Escolas, conforme exigências estabelecidas na portaria federal que instituiu o programa.

De acordo com o MEC, um dos critérios é que a admissão dos estudantes ocorra por proximidade da escola pública de origem ou local de moradia. As unidades de ensino que ficam em regiões de vulnerabilidade social ou com baixos índices sociodemográficos foram priorizadas, mas a seleção das escolas que se transformarão em integrais deve ser feita pelas redes estaduais. “Há um compromisso do ministério em atendermos muito bem, especialmente, os estados que mais precisam, do Norte, Nordeste, os que têm maior dificuldade. Mas todos os estados terão um mínimo de escolas, podendo aderir a mais escolas. E aí é uma decisão da própria rede em escolher quais unidades, se da Capital, se do interior do Estado, vão aderir ao programa”, explica o secretário de Educação Básica do MEC, Rossieli Soares.

A estudante Talita Ester, 17 anos, que cursa o 2º ano na Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Cândido Duarte, em Apipucos, Zona Norte do Recife, vê a expansão do modelo com bons olhos, embora destaque a necessidade de que as unidades de ensino que já existem invistam mais em projetos e outras práticas interdisciplinares. “Não é só uma questão de colocar a gente o dia todo para estudar. Eu acho que a escola poderia melhorar bastante em estrutura e na oferta de projetos, até porque passamos uma grande parte da nossa rotina aqui. Mas acho que o modelo é bom. Aqui temos arte, sociologia, filosofia, direitos humanos, além das disciplinas normais. Fizemos parte, por exemplo, de um programa em empreendedorismo para saber como funciona uma miniempresa. Foi um projeto bem legal que sei que não é toda escola que oferece, mas a integral oferece”, elenca.

O jovem Marcos Vinícius, 18, que estuda na mesma Erem que Talita, mas no 3º ano do ensino médio, acredita que a vivência que tem com os conteúdos numa escola integral o tornará mais preparado para a vida. “É algo que, tanto em conteúdo como em rotina, se aproxima, de certo modo, do que a gente pode vivenciar no mercado de trabalho. Eu acho que estar aqui faz a diferença para que a gente saia já com uma experiência melhor do que quem passa por uma escola semi-integral, por exemplo. Aqui são nove aulas por dia e a gente cria muitos laços para a vida”, relata.

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