Família da menina Beatriz quer federalização do caso; mãe faz greve de fome

Quase dois após a morte da menina Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, a família e amigos, que já realizaram uma série de protestos em Petrolina, local da escola onde o assassinato ocorreu, viajou cerca de 800 km e está neste momento no Palácio do Campo das Princesas, no Centro do Recife. O grupo, com cerca de 50 pessoas, cobra respostas da polícia sobre a evolução das investigações. O grupo exigiu inicialmente ser recebido pelo governador Paulo Câmara e a delegada Gleide Angelo, à frente do caso há cerca de um ano, mas foi recebido por comissão sem a presença do governador.

A mãe da menina Beatriz, Lucinha Mota, afirma que a família quer conversar sobre dados das investigações e sobre a lentidão no desfecho do caso. Entre os pontos citados por ela, o nome do funcionário que apagou as imagens das câmeras da escola, que foram posteriormente recuperadas pela polícia. A prisão deste funcionário está na lista de reivindicações do ato que ocorre no Centro do Recife. “Se um for preso, tudo será desbaratado, porque vai sair um entregando o outro”, afirmou Lucinha.

“Não temos dúvida do envolvimento de alguém da escola”, enfatiza. A família também fala sobre a reforma realizada na escola dias depois com o “claro objetivo de esconder provas”. Segundo ela, a entrada do suposto assassino ocorreu por um portão que só podia ser aberto por dentro, o que configura claramente a participação de outra pessoa no crime.

O local, ainda de acordo com Lucinha, foi claramente preparado para atrair alguma vítima. A mãe de Beatriz diz que não vai descansar enquanto os culpados não forem punidos, objetivo que fica mais difícil a cada dia com “o claro incentivo ao arquivamento do caso, pela rede de protecionismo criada no âmbito das investigações”.

A família exige também a designação de outro delegado que se estabeleça em Petrolina. “A polícia de Pernambuco é incompetente. O que é que falta? Nada foi resolvido. A entrada cheia de pirotecnia da delegada Gleide Angelo de nada funcionou. Não estamos aqui pedindo favor a ninguém. A polícia já tem indícios suficientes para tomar medidas preventivas. Me envergonho quando alguém chega pra mim e diz: ‘se esse crime tivesse ocorrido na Bahia, já estaria resolvido’”, desabafou Sandro Romilton, pai de Beatriz.

Greve de fome
Lucinha diz ter para esta segunda-feira várias metas, como a resposta formal ao pedido feito por ela em agosto à delegada Gleide Angelo, sobre acesso aos dados do inquérito. “Me preparei para o dia de hoje e para esta greve de fome com uma equipe médica. Estou pronta para passar vários dias sem comer”, afirmou a mãe de Beatriz. Ainda segundo ela, a família não sai d Recife até receber uma resposta formal da delegada. “Vou ficar aqui até quando o meu corpo aguentar”, frisou.

Fonte: FolhaPE

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